quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Tragédia do Cap Arcona


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Depois de escrever o "L'Homme Mecanique" (final de 1928) Santos=Dumont estava muito animado com a perspectiva de chegar ao Brasil com algumas novas invenções (o "Conversor Marciano" e o "Ícaro" veja http://santosdumontvida.blogspot.com/2011/05/lhomme-mecanique.html ) e um novo livro ("L'Homme Mecanique" no mesmo artigo), ele sempre soube que o nunca o povo brasileiro nunca o abandonaria, e estava bastante otimista quanto ao resultado da viagem, mas as coisas estavam prestes a mudar.


Santos=Dumont, Yolanda Penteado, Antonio Prado Junior, José Augusto, Eduardo Ramos, Cesar Vergueiro e os irmãos Marques Lisboa.


Santos decidiu vir para o Brasil a bordo de um grande transatlântico alemão de luxo recentemente batizado, com o nome do Cabo de Arkona, localizado na ilha de Rügen em Mecklenburg-Vorpommern.

O Cap Arcona foi lançado em 14 de maio de 1927, partiu em 29 de outubro de 1927 do porto de Hamburgo em sua viagem inaugural para a Argentina, transportou passageiros da Alemanha e da América do Sul até 1940, quando foi confiscado pela Marinha alemã. Foi considerado um dos navios mais belos de todos os tempos, foi também o maior navio alemão na rota sul-americana, levou desde viajantes da alta classe até imigrantes na segunda e terceira classes.


O Cap Arcona imprimia o luxo em seus vários ambientes, a exuberante piscina, a sala de festas, uma quadra de tênis magnífica, entre outros.

A sala de jantar tinha como principal característica os dez pares de janelas amplas, dispostas cinco de cada lado, que permitia que a luz natural entrasse e dava-lhe uma sensação menos confinadas, presentes em salas de jantar de navios no Atlântico Norte. A sala de jantar media 35m x 18m x 5,5m. Foi terminado em candlewood e jacarandá, com papel de parede em seda verde esticada. Havia três gobeleins grandes, um tapete cobria todo o piso como um carpete substituindo o tradicional piso envernizado.

O Cap Arcona tinha oito suites deluxe no Convés D. Estas suites consistiam em sala de estar, quarto, banheiro, armário, e sala de troncar. As suites foram acabadas em madeira de cerejeira, nogueira, bétula, mogno, satinwood importada das Orientais, cedro e jacarandá. Com suas três grandes janelas, e a total ausência de desordem, parecem bem mais espaçosas e arejadas do que as concorrentes do Atlântico Norte.

Santos=Dumont havia sido convidado por Antonio Prado Junior, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, para uma cerimônia na qual ele iria inaugurar uma avenida com seu nome. Santos, era acompanhado por seu sobrinho Jorge, e eles estavam carregando uma grande quantidade de bagagem, incluindo o "Conversor Marciano" e o "Ícaro",

(provavelmente ele montou o "Ícaro" no convés principal para uma breve demonstração ao público) .

As notícias sobre a chegada de Santos Dumont ao Brasil sempre causavam alarde, as autoridades aguardavam por ele, e então veio o dia em que a viagem agradável e confortável para o Brasil expôs Santos=Dumont para o momento mais chocante de sua vida.

É um fato bem conhecido que Santos=Dumont teve alguns problemas de nervos, em janeiro de 1910, Santos=Dumont anunciou que fora diagnosticado com esclerose múltipla e não era mais capaz de voar, e em meados dos anos 20, ele internou-se em algumas clínicas privadas na Suíça, para descansar do stress, amigos e família sempre tentavam poupá-lo de ser provocado.


Em 03 de dezembro de 1928 alguns intelectuais brasileiros decidiram prestar-lhe homenagem jogando flores e pequenos pára-quedas com uma carta desejando boas vindas para S=D. Os pára-quedas seriam lançados por um hidroavião Wal Dorner do Sindicato Condor chamado "Santos Dumont" na Bahia da Guanabara, momentos antes de o CapArcona chegar ao seu destino final no Rio de Janeiro.

Dois aviões estavam fazendo acrobacias, o Guanabara (P-BAIA) e o Santos Dumont (P-BACA). Este ultimo, pilotado pelo Alemão August Wilhelm Paschen, conduzia a bordo o co-piloto gaucho Rodolpho Enet, o mecânico de bordo alemão Walter Hasseldorf, o despachante Guilherme Auth, o funcionário da Condor Gustavo Butzke, alem do professor Fernando Laboriaux Filho, Dr. Paulo da Graça Maya, major Eduardo Vallo (austríaco), jornalista Abel de Araujo (Jornal do Brasil) e esposa , Amoroso Costa , Amaury de Medeiros, Tobias Moscoso e o Engenheiro Frederico de Oliveira Coutinho.

Do convés do navio Santos assistia os aviões fazendo acrobacias, ele sabia que em momentos de euforia pessoas tendem a cometer erros. Santos observou que o Wal Dornier chamado de "Santos Dumont" havia exagerado na curva e então desaparecera do campo de visão.



Yolanda Penteado, a bordo do Cap Arcona relata o que viu:
“Antes de o navio atracar, veio aquela barca da Saúde e nela o Antonio Prado, muito triste. Ele entrou a bordo e contou a tragédia. No acidente, haviam morrido todos, Santos=Dumont foi tomado de um nervosismo pavoroso.
Nessa noite, fomos visitar seis velórios, um apos o outro. Isso fez um mal terrível a ele que já tinha, havia muito tempo, os nervos abalados”.


Os historiadores costumam dizer que este episódio foi o "gatilho" para um grande período depressivo que terminou com o trágico suicídio do "Pai da aviação", em 23 de julho de 1932.

Mesmo o navio em si teve um final trágico, ao contrário da crença geral o maior desastre náutico não ocorreu no Oceano Atlântico e o navio não foi o RMS Titanic. O maior desastre do navio ocorreu em 3 de Maio de 1945 em Lübeck Bay e o navio foi o Cap Arcona.

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